
Monday, October 31, 2005
Compreende-se o fato de que não existe mais nada neste lugar. Nada e ninguém. E a familiaridade que eles pressupõem faz a sensação sublime da companhia não parecer um engodo.
Eu a reverencio e tento me comunicar. E falo e personagens novos são introduzidos, baseados nalguma esperança ou receio, eles se tornam amados e odiados e desaparecem na medida em que caminho para o horizonte.
Quanto tempo faz?
Eu os movimento, eles têm minhas memórias e são um trecho que busca uma vida própria. Se estivesse no mundo real seria o equivalente a um bêbado falando sozinho na rua, mas aqui, aqui é tudo o que restou. Memórias animadas que querem vida. Eu discuti com uma delas, discuti com meu próprio ódio.
- Em definitivo isto não é sobre amor. É sobre dor e solidão e sobre quando nos encontramos.
- Acho que você não sabe onde está.
- Sim, eu sei, apenas não gosto da dúvida que o momento traz. Mas sei exatamente onde estou.
- Acabou, eu peguei você.
Pausa.
- E o que imagina que poderá fazer a respeito? Deveria estar desesperado, eu estaria se estivesse no seu lugar.
- É certo que me pegou.
- Você não vai escapar.
- Sempre existirá uma falha e eu vou encontrá-la, tenho a vida toda para isso. E quando eu tiver acesso a ela, chegarei até você. E vou estrangular seu pescoço e me fixar em seu olhar, ver o quanto seus olhos se tornam vermelhos antes de sua asfixia final, vou sentir cada instante de seu desespero e te fazer sofrer. E você vai sofrer.
Saturday, October 15, 2005
Acabou, e naquele mundo surgiram novas línguas. Algumas ressonantes e universais e outras em códigos profanos. Eis q por algum tempo eles se embriagaram de sua lucidez, pois podiam enxergar o além.
Mas havia algo errado, pois muitas florestas se extinguiram, levando consigo a mata pensante de sangue vermelho, para quem eles deviam reverência.
Eu senti seu ódio, e o sinto e ele dormiu em meu povo.
Então eu vivo e respiro e meus ramos se estendem, enraizados em um parlamento arbóreo, rodeado de fantasmas da era passada.
Existe sobra e dúvida em nossa terra fértil, com seres profanos caminhando de um lado para o outro, muitos sem voz, outros sem comida.
Hoje a coragem correu em meu sangue, pois eu senti o ódio, e estava escrito.
Velozes e malvados em sete signos.
histórias das árvores pensantes: de como a pureza comprometeu aquele sal tão branco
tomo primeiro - o pássaro-preto
Que esta vos bem encontre e que o caminho dos céus vos seja revelado.
O calor e as consciências ramificadas que povoavam a antiga mata foram modificadas.
Como orvalho e pequenos besouros, os malditos se separam e buscam abrigo no esterco fétido, eles temem por seu poder e uma presença silenciosa os acompanha.
Como se antevessem um furor repentino, os corpos obscuros aninham-se buscando algum tipo de compreensão. Criaturas disformes se movimentam a procura de qualquer espécie q possa prover de sustento sua pútrida consciência, sem saber q em breve, muito em breve, o horror negro se encarregará de purgar e contaminar sua pequena pureza, um a um.
Outros, imponentes apenas observam. O mal em sua forma primitiva brota por frestas e pequenos orifícios ao longo do trajeto da ave.
Haverá tempestade e ela trará consigo a sensação dúbia da divisão e da peste.
3podThursday, October 13, 2005
Mais algumas coisas, montei hq's no começo da faculdade e durante o trabalho com as charges, nada que eu possa chamar de genial ou obra mas foi uma coisa que deu sentido a uma parte da minha adolescência e infância. Nessa fase eu lia mais ou menos uns 90 gibis por mês, acabei acumulando uns 6 ou 7 mil em alguns anos.
Pode ter sido um período estranho, porém foi inegavelmente produtivo, aliás, apesar do fato de não ter assimilado nada exceto fantasia e imaginação foi por deveras produtivo.
Assistindo a um filme sobre a Irlanda dos anos 50/80 vi um paralelo entre a manifestação da minha cultura interiorana do meio do nada, repleta de imagens sacras e de padres brancos com a desolação proletária e portuária daquele lugar, que a exceção dos tons escuros e chuvosos refletiu por completo minha desolação naqueles anos: éramos todos pobres, morando em cidades minúsculas e agrárias, agarrados a uma cultura católica castradora, efêmeros e materialmente maculados pelo contraste da exploração e da guerra fria. Nossa única droga era imaginar mundos diferentes. The greatests pretenders. :D


Então vieram as nuvens e está escuro.
Não me pergunte pois também busco essa resposta. Vou construir um circuito pra desligar a luz quando chover, dessa forma será mais fácil estar preparado para a tempestade.
3pod
A vida é um brócole, seja por sua cor verde ou apenas pelas ramificações onde se derivam outras vidas. Se houver uma consideração grande dessa última parte é possível entender que ela se reproduz por sissiparidade.

Esses trabalhos são velhos, bem velhos, do tempo em que eu era um chargista/ilustrador numa espécie de jornal.Foi um tempo legal onde as ferramentas eram simples idéias e algumas cores, sem estruturas gigantescasme assombrando com mistérios matemáticos e lógicos. Tudo fluia como devia fluir e se acabasse a luz eu abria a janela e continuava trabalhando.


E existiam milhares de gibis, centenas deles com outras centenas de autores espetaculares ao redor, a pesquisa era da mais bela forma analógica possível, folheando páginas.
:D
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